Atleta ribeirão-pretana é convocada para Seleção Brasileira de Basquete
Reprodução: ACidade ON
Atleta ribeirão-pretana é convocada para Seleção Brasileira de Basquete

A atleta ribeirão-pretana Mariah Luiza, de 17 anos, também conhecida como 'a braba' acaba de ser convocada pela primeira vez para a seleção brasileira de basquete sub-18 para a disputa da Copa América, que acontece a partir de 13 de junho em Buenos Aires na Argentina.  

A ala/pivô já se apresenta à seleção brasileira no dia 23 de maio, em Araraquara, onde se juntará as outras atletas para iniciarem a preparação. Das 19 jogadores convocadas para a bateria de treinos, 12 serão selecionadas para a disputa.  "A convocação foi algo incrível, eu sabia sim que em algum momento, eu seria reconhecida pelo meu esforço e pela minha dedicação, mas quando acontece a gente acaba não acreditando por conta da adrenalina", conta.

A ala de 1,78 defende desde 2020 a equipe de Londrina (PR) e coleciona títulos ao longo da curta carreira. Mariah começou a jogar basquete aos 12 anos por incentivo do seu pai, o educador físico e ex-jogador de basquete André Luis Jesus que tem passagens por Uniara (SP) Corinthians (RS) Casa Branca (SP) e Luso Bauru (SP) Ulbra/Palmas (TO), entre outros times. 

"Minha maior inspiração no basquete é meu pai, por ter sido um grande jogador. Na época dele aconteceram alguns problemas que ele teve que parar de jogar, então eu creio que isso está tornando a gente mais forte, porque tudo que ele pode me ajudar, que ele enfrentou ou que ele acabou não passando por conta disso, ele me ajuda e vai me completando pouco a pouco", disse Mariah. 

Projeto social 

O pai de Mariah conta que desde pequena, a filha demonstra aptidão para os esportes. Fez aulas de karatê, box, xadrez, futebol, dança de rua, mas foi no basquete que ela se encontrou. Foi inclusive por influência das duas filhas, que o ex-jogador iniciou em 2012 um projeto social em que ele dá aulas de basquete para crianças e adolescentes da periferia. 

Os treinos são na quadra do Jardim João Rossi, onde já passaram centenas de alunos, entre eles a Mariah. "Elas chegaram para mim na época e falaram assim: bem que você podia dar aula de basquete pra crianças que não podem pagar, né? Eu lembro que começamos com dez crianças, o trabalho foi amadurecendo e chegamos a ter 100 alunos lá", conta André.  

Do projeto social do pai, Mariah seguiu para a equipe feminina de Ribeirão Preto, com treinos no centro poliesportivo da Cava do Bosque, mas ficou pouco tempo. Convicta de que queria ser jogadora profissional, ela sentiu a necessidade de se desafiar ainda mais. O pai não só a ajudou, como também ofereceu um importante conselho. 

"Contei toda a minha história e falei: filha, é isso mesmo que você quer? Disse para ela que não seria fácil, que para ser profissional de basquete tem que abrir mão de muitas coisas, mas ela estava decidida. Iniciamos um treino da parte técnica física e chegamos a treinar 11 horas por dia. Ela me tirava da cama para ir treinar. Eu até fui criticado por algumas pessoas na época, porque achavam que estava forçando demais", lembra.       

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André e Mariah em quadra do Jardim João Rossi, em Ribeirão - Foto: Divulgação

Deixou o ninho cedo

Aos 13 anos, Mariah foi jogar em Tupã, cidade também no interior de São Paulo, onde há uma estrutura voltada para atletas de alto rendimento. Lá conseguiu o que buscava: Treino de alta performance e minutagem em quadra.    

Em 2020, com o início da pandemia, e suspensão das competições estaduais em São Paulo, ela voltou para Ribeirão e continuou treinando forte com o pai para não perder o ritmo. 

No mesmo ano surgiu a oportunidade de defender a equipe do Londrina (PR), outro tradicional clube do basquete feminino no Brasil.   

Em 2021, um dos melhores anos de sua carreira, ela participou de 11 finais e levou a maioria dos títulos; Também garantiu algumas premiações de melhor jogadora e de cestinha. 

Segura em quadra, Mariah do sub-16 à época, jogou em categorias superiores a dela e até no adulto. As boas atuações foram fundamentais para sua convocação à seleção.   

De Ribeirão para a Europa?

Em Londrina, Mariah está próxima de familiares. A atleta é prima do volante Fernando Luiz Roza, mais conhecido como Fernandinho da seleção brasileira. 

Atualmente, o atleta defende o clube inglês Manchester City da Inglaterra, mas sempre quando pode está em Londrina e é um dos grandes apoiadores da carreira dela, explica André. 

Com o grande sonho de trilhar o mesmo caminho do primo e jogar na Europa, Mariah pode conseguir em breve esse feito.A atleta vem sendo sondada pela equipe do Valência da Espanha. 

"Para mim é um presente de Deus. Também ficou feliz porque não foi uma obrigação de pai. A paixão é a mesma, mas sempre foi por ela, eu nunca insisti nada. (...) Mariah é o futuro do basquete no Brasil. É o tipo de atleta que o Brasil precisa: ela cuida da saúde, ela mesma que cozinha, se preocupa em dormir bem, não é de sair, gosta de treinar todo dia",  conclui.  

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Mariah e sua colegas do Basquete durante premiação do sub-16 em 2020 - Foto: Divulgação

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